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Ontem, voltando da UFRN, no carro de um grande amigo meu, surgiu um assunto muito comentado, pouco analisado, mas muito importante para toda a sociedade. O assunto tratado era o valor da roupa de marca e da piriguete na sociedade de hoje.

Esse assunto é muito importante, por causa da forma como o homem da atualidade, em sua generalidade, se comporta. O assunto iniciou-se com o valor que certas pessoas dão as roupas de marca. A justificativa dada para essa supervalorização da roupa de marca é o fetiche, ou seja, o status que a roupa de marca confere aqueles que a usam. Os benefícios trazidos por esse status é a popularidade e a abertura de portas que ele proporciona. No caso da maioria das pessoas, usar roupas de marca, é inserir-se em um meio que não permite a participação de pessoas que não aparentam ter posses (nesse caso essa aparência é representada pelo status). Normalmente o status que a roupa de marca confere, permite que seu usuário tenha acesso a pessoas de níveis sociais mais elevados, podendo assim relacionar-se com pessoas que o ajudem a também subir de nível social. A importância desse nível social elevado está na possibilidade de, a partir dele, conseguir tornar-se popular e desejado pelas outras pessoas, além de poder fazer parte do grupo de pessoas que realmente tem importância dentro da sociedade: aquelas que tem dinheiro, ou que aparentam ter.

Quando um homem consegue fazer parte desse meio tão cobiçado, ele passa a ser como os garotos populares que passam nos filmes adolescentes americanos: são convidados para festas e desejados pelas mulheres, que nessas circunstâncias, no Brasil, são conhecidas como piriguetes. As piriguetes são moças que ficam com rapazes em festas, interessadas não em um pagamento em dinheiro no final da noite, nem combinam esse pagamento como fazem as prostitutas; elas ficam com os rapazes na expectativa de terem as despesas da noite pagas por eles, como por exemplo a entrada das festas, a bebida consumida e o transporte, que normalmente são os carros dos rapazes a quem elas acompanham. Assim, as piriguetes participam de acontecimentos dispendiosos sem a necessidade de gastarem um centavo.

Na conversa que tivemos, durante todo o tempo a piriguete foi colocada como aquela que não se valoriza e o homem como  aquele que está em uma posição neutra, mesmo que ele “pegue” tantas, ou mais, mulheres do que as piriguetes “pegam” homens, ele não é citado como um desvalorizado.

Se pararmos para pensar, veremos que o homem compra uma roupa de marca não por ela ser bela, nem por ter uma cor interessante, nem por ela vestir bem, mas para se inserir em um espaço, e na maioria das vezes para ser valorizado pela DESVALORIZADA piriguete, para que a partir daí ele tenha a possibilidade de a piriguete permitir que ele seja seu “tutor” em uma festa, pagando a sua entrada, as bebidas por ela consumidas e que ela o deixa levá-la em casa. No fim, a DESVALORIZADA piriguete, ainda corre o risco de sentir prazer ao fim da noite em uma provável relação sexual com seu “tutor”. Analisando todos esses fatores, seria a DESVALORIZADA piriguete realmente desvalorizada, ou o homem, valorizado por seus status masculino e sua roupa de marca o verdadeiro sem valor?

O interessante nessa relação é a forma como o homem e a mulher que não é piriguete enxergam a figura masculina e a figura da piriguete. O homem é tratado como o neutro e a piriguete como uma imoral. Na minha opinião o homem que enxerga a piriguete como uma desvalorizada perante ao homem não consegue perceber a sua própria posição, de alguém que além de gastar muito para ter algo tão “DESVALORIZADO” ainda se comporta da mesma forma que a piriguete, já que não dosa a quantidade de piriguetes que “pega”. Já a mulher, quando não acha estranho o comportamento do “homem galinha” e condena o comportamento da piriguete, dá um tiro no próprio pé, pois acha normal para o homem a atitude que é condenável par a mulher, fortalecendo assim a idéia da inferioridade feminina, que não pode agir como o homem, ou senão será considerada uma mulher sem valor, quando o homem assim não o é.

A discussão desse assunto é muito importante, justamente por mostrar como a própria mulher, dentro da nossa sociedade, fortalece a idéia da sua inferioridade em relação ao homem, já que não pode agir como ele. A prova disso é que o homem galinha consegue namorar qualquer moça, basta apenas que ele demonstre ter se “consertado”, ao contrário da mulher, que mesmo que se case, continua carregando para sempre o seu passado obscuro. E a partir de todos esses argumentos, é possível concluir que  a idéia de uma sociedade machista não existe por causa apenas do homem que se impõe sobre a mulher, mas por causa da afirmação do machismo por parte da própria mulher, e que o assunto que aparentemente é besta, na verdade mostra como se configura o pensamento de uma sociedade inteira.

Todos sabemos que as mudanças em relação a essa forma de pensar não acontecerá tão cedo, entretanto isso não nos impede de mudarmos a nossa forma individual de pensar. Ou ainda vamos querer ficar mantendo uma idéia ultrapassada, apenas por causa da massa ignorante que não consegue perceber as minúcias existentes em seu comportamento?

Será que só os homens tem o direito de ficarem com várias mulheres? Eu acho que não! Se os homens podem, qual é o motivo que impede as mulheres? O sexo? Talvez, no surgimento da piriguete esteja presente não apenas uma forma luxuriante de viver, mas o resultado de uma busca por igualdade entre os sexos.

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