Ontem, felizmente, enquanto pessoas choravam do outro lado do mundo devido as perdas ocasionas pelo terremoto seguido por tsunami em Honshu, no Japão, eu tive a oportunidade de comemorar a formatura de meu irmão mais velho (Arnaldo Bruno) em licenciatura para letras, habilitação em literatura e língua inglesa. Infelizmente, alguns fatores tentaram estragar a noite, como o atraso, já que a solenidade havia sido programada para as 19:00 hs e começou apenas às 20:20 hs. A causa do atraso no início da solenidade não foi a falta de nenhum professo ou aluno, mas o atraso do atual ministro da previdência: Garibalde Alves Filho, que por um motivo “desconhecido” ($), foi convidado à ser o patrono da turma. Garibalde, não possui feito algum que justifique o convite que lhe foi feito. Mas, fazer o que? Cada qual com sua opinião. Meu irmão, não soube do patronato do atual ministro até o momento da colação de grau, prova de que este patrono não foi escolhido com base em um consenso.

Desviando-me agora dos detalhes pouco importantes, vou tentar passar para vocês, leitores, o que senti ao assistir aquela solenidade. Primeiro, depois de muita espera, os novos licenciados caminhavam em um tapete vermelho. Muito emocionados, devido estarem em seu primeiro momento de glória na academia- para aqueles que pretendem continuar a vida acadêmica- e também realizando um sonho seu e de muitos pais, os formandos sentaram-se em seus lugares programados e deu-se início a solenidade. A oradora da turma fez um discurso, que em minha opinião foi muito pobre, não houve em suas palavras o belo e grande espírito das Ciências Humanas, faltou-lhe demonstrar também o domínio sobre aquilo a que se propunha a dedicar a vida. No discurso da oradora ouviu-se muito falar em Deus, pouco no que realmente devia ser falado. É uma pena, eu não dispor aqui do texto mencionado, dessa forma, torna-se bem difícil concordar ou discordar de minhas palavras.

Seguiu-se a solenidade, onde mais adiante, a paraninfa da turma, uma professora, começou seu discurso que, em parte, foi bem interessante, pois foram relembrados alguns fatos que se passaram com ela e a turma, demonstrou sua afinidade com as palavras, emocionou-se e emocionou alguns, entretanto, seu discurso foi extremamente cansativo e longo  e não foi, na minha opinião, suficiente para instigar os novos licenciados a exercerem a profissão com entusiasmo ou convencer alguém a licenciar-se em letras.

O Hino Nacional foi executado, e eu fiz questão de não me manifestar nesse momento, fiquei calado, sentado e com os braços cruzados, em protesto. Fiz isso para mostrar a minha indignação com o que aquelas pessoas fizeram naquela noite: Foram insultadas por um homem que não tem relação nenhum com as letras, a ponto de ser patrono de uma turma de formandos que para todo efeito pretendem dedicar sua vida a esta área; em seu discurso este mesmo homem não teve a humildade de pedir desculpas por seu atraso; chegou  acenando e rindo como se fosse um rei, demonstrando não estar se importando com as crianças e idosos que esperavam por aquele momento à tanto tempo e que foram obrigados a esperar por alguém que jamais demonstrou qualquer tipo de envolvimento com aquelas pessoas; fiquei mais indignado ainda com a reação das pessoas e de alguns professores ao verem aquele homem chegar. Muitas pessoas correram para tirar fotos com o motivador do atraso, a personalidade que não considerou aqueles que ali estavam. Vários professores levantaram-se e suas cadeiras para cumprimentá-lo, o que deveria ser o contrário, já que ali era o território daqueles que se dedicaram às letras, não aquele que pulou de para quedas e caiu naquele espaço.

Na minha opinião,  a cerimônia foi bem mais desagradável do que agradável, a única felicidade que tive foi a de ver meu irmão realizar um sonho dele e de todos os seus familiares. A partir disso gostaria de Dar-lhe os parabéns e desejar que ele exerça esta profissão com toda a capacidade e qualidade que sei que ele possui. Seja feliz nessa nova etapa de sua vida.

 

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