“O Historiador é uma peça fundamental em todo o tipo de cultura. Ele retira e preserva os tesouros do passado, interpreta a História, aprofunda o conhecimento do presente. Um povo sem História, e sem o Historiador, é um povo sem memória.

(Prof. Adinalzir)

Hoje em dia enfrentamos um grave problema: O Historiador não é valorizado e o ensino da História é negligenciado nas escolas públicas e particulares de ensino médio, fundamental e em alguns casos até no  ensino superior. As escolas de ensino fundamental e médio tratam o ensino da história apenas como mais uma disciplina na grade de ensino básico. Infelizmente a maioria dos profissionais, que hoje continuam a formação dos filhos das mais variadas famílias, não compreendem o motivo pelo qual ensinam, não compreendem o papel que tem a desempenhar o  educador. Esse problema agrava-se quando o ensino da História é introduzido na escola da forma que acontece atualmente, – não um estudo da História, mas o “decoreba” de datas e fatos históricos – infelizmente essa é uma realidade, entretanto as realidades podem ser modificadas.

Optei por escrever este post, pelo fato de ter ficado muito triste com algumas realidades que andei observando esses dias. Não sei se todos sabem, mas, sou estudante de História na UFRN e me sinto muito triste quando ouço pessoas perguntarem qual é a necessidade da História na vida de Alguém. Qual é a necessidade de estudarmos coisas que já aconteceram faz tanto tempo, se vivemos hoje, em um período tão distante daquele? Talvez não seja tão distante assim, já que até hoje trazemos em nossa constituição como pessoa vários aspectos que nos remetem, sem que percebamos, àqueles períodos já “passados”. Se pararmos para pensar, não precisaremos nem ir tão longe, basta que observemos nossa língua, que é latina e como sabemos o Latim era a língua de Roma, da Roma Antiga. Observando certos aspectos, como a nossa própria língua, percebemos que não estamos assim tão distantes daqueles povos que chamamos antigos. Mesmo com essas semelhanças com estes povos e costumes, não podemos achar que é apenas isso que nos faz termos necessidade de estudar e compreender a  História. Por mais que não notemos a História é a responsável pela nossa formação, pela nossa identidade, pela nossa vontade e pelas nossas ações. Nossa forma de ser é resultado do que vivemos e do que aprendemos, logo necessitamos da história para nos entendermos e nos compreendermos e desta forma poderemos também compreender o mundo em que vivemos.

Para que a importância da história fique bem clara dentro de nossas cabeças é muito importante que saibamos qual é o papel do Historiador. O historiador, ao contrário do que se pensa, não é aquela pessoa que vive enfurnada em uma sala de estudos com um monte de livros, documentos e artefatos velhos, nem também aquela pessoa que vive no meio do mundo procurando objetos antigos dentro de cavernas cheias de armadilhas e monstros, esse trabalho fica para o Indiana Jones – que está longe de ser um arqueólogo, apesar de querer passar essa imagem -, o Historiador também não é o profissional do passado, nem muito menos aquele que estuda o passado para prever o futuro. Ele é sim o profissional do presente, que estuda o passado para compreender o presente, saber o motivo pelo qual as coisas acontecem e como acontecem.

Por não saberem as razões que embasam a História várias pessoas sentem-se aptas a lecionarem tal disciplina nas escolas e os Diretores, coordenadores e responsáveis por estes estabelecimentos – que sabem menos ainda – sentem-se seguros em terem como componentes dos corpos docentes dessas entidades pessoas com esse nível de formação e com essa bagagem de conhecimento. Um dos principais problemas relacionados não só ao ensino da História, mas ao ensino em si é o fato de os próprios pais e responsáveis dos “alunos” não terem também essa formação, dessa forma não estão presentes com frequência no âmbito escolar, permitindo que pessoas desqualificadas dêem continuidade à educação de seus filhos.  É importante atentarmos para o fato de que História não se aprende apenas na escola ou na academia, na verdade ela não é apenas aprendida, mas é também, e principalmente  construída. A História, como qualquer outro produto da ação humana, é o resultado das ações de cada indivíduo, por isso, devemos nos preocupar com qual a História que estamos construindo: uma boa História, ou seja, uma História que nos ajudará a viver e a formar um mundo melhor, ou  uma História que nos prejudicará, e prolongará um período onde o maior subjuga o menor às suas vontades?

Para finalizar, gostaria apenas de pedir a todos que leram este post, que procurem refletir e observar, independente de serem professores, pais ( os principais professores), diretores, coordenadores, ou qualquer pessoa que reflitam sobre suas concepções, não só com relação à História, mas a qualquer outra coisa, pois são essas pequenas coisas que fazem o que comumente chamamos de História.

Anaxágoras Lopes Vital.

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